Muito se fala da diferença da arte e do design. Muitos designers são também artistas, pois é natural buscar inspiração na arte para aumentar a criatividade e o apelo visual de cada design. As duas são formas de expressão criativa que frequentemente se entrelaçam, mas possuem distinções em relação às suas práticas e propósitos. Andam lado a lado, mas definitivamente são diferentes.
O design é essencialmente orientado para resolver problemas e atender às necessidades específicas de um público-alvo. Normalmente é um serviço contratado por um cliente que deseja promover uma marca, produto ou serviço e/ou resolver problemas tangíveis. Tem um objetivo orientado para um propósito específico e um público-alvo definido. O design leva em consideração requisitos e parâmetros específicos e a solução deve ser sustentável, eficaz e viável para atender às necessidades do cliente e/ou do usuário final. Sendo assim, possui uma abordagem funcional e prática, que visa simplificar e potencializar o entendimento da mensagem que se deseja transmitir.
Por outro lado, a arte explora questões mais abstratas e subjetivas e tem um processo mais livre em sua expressão e concepção onde, muitas vezes, o seu criador foca na provocação emocional, reflexão conceitual ou simplesmente na busca pela beleza. A arte visa um público mais amplo e normalmente busca transcender limitações práticas, com exceção das limitações que não sejam do próprio artista. Ela permite uma maior experimentação seja de técnicas, materiais, conceitos e até objetivos.
Embora as claras diferenças entre o design e a arte, é inegável que há uma interseção significativa entre elas. Muitos designers incorporam elementos artísticos em seus projetos para aumentar o apelo visual e emocional, enquanto alguns artistas utilizam princípios de design para criar obras que são tanto esteticamente atraentes quanto conceitualmente ricas.
Alguns artistas também são designers e vice-versa. Alguns artistas/designers possuem um traço e/ou expressão visual que são bem característicos e dos quais aplicam em suas obras, criações e projetos, gerando uma concepção artística autoral. Não é raro que as marcas – seja de qualquer dimensão e relevância – procurem estes artistas/designers em busca de um serviço de design que deseja utilizar exatamente suas “assinaturas”, traços e expressões visuais.
Um ótimo exemplo é o artista, Illustrator, tatuador, designer e professor carioca Rafo Castro (rafocastro.com). O Rafo criou uma expressão visual marcante que aplica em seus projetos que lhe conferem uma assinatura autoral. As suas obras e criações se utilizam de expressões visuais marcantes que, aplicados em seus personagens e composições, são facilmente percebidos pelo público que o conhece. Além da arte que cria para si e que são vistos em exposições, tatuagens, produtos e projetos diversos, o mercado também lhe contrata visando aplicar a sua arte em projetos de design tal como, por exemplo, o cartaz (e produtos) do Rock in Rio de 2019.
Outro exemplo é o multipremiado Vinicius Costa (viniciuscosta.tv), artista digital surrealista, diretor criativo e sócio fundador da ROOF Studio. Nascido no Rio de Janeiro e vivendo a mais de 12 anos em Nova York, Costa criou um padrão artístico visual muito próprio, detalhista, elaborado e caprichoso, que é encantador. Ele utiliza este padrão em projetos pessoais, mas também quando é contratado por grandes marcas globais tal como Honda, Nespresso, MTV, Kellogg´s, Nike, American Airlines, IBM, HBO entre outros. Todas estas marcas utilizam da criação autoral do Costa em projetos de publicidade.
O design e a arte ilustram não somente a riqueza e a diversidade da criatividade humana, assim como deixam claro que, embora tenham funções e propósitos distintos, ambos desempenham papéis importantes na nossa sociedade e na nossa cultura.