{"id":299,"date":"2026-10-15T19:11:45","date_gmt":"2026-10-15T22:11:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.enterdesign.com.br\/blog\/?p=299"},"modified":"2026-10-15T19:11:45","modified_gmt":"2026-10-15T22:11:45","slug":"o-que-acontece-quando-uma-marca-continua-comunicando-para-uma-versao-da-gen-z-que-ja-nao-existe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.enterdesign.com.br\/blog\/2026\/10\/15\/o-que-acontece-quando-uma-marca-continua-comunicando-para-uma-versao-da-gen-z-que-ja-nao-existe\/","title":{"rendered":"O que acontece quando uma marca continua comunicando para uma vers\u00e3o da Gen Z que j\u00e1 n\u00e3o existe?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A Gera\u00e7\u00e3o Z est\u00e1 chegando aos 30 anos. Mas muitas marcas ainda continuam falando com ela como se tivesse 20.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2026, os integrantes mais velhos da Gera\u00e7\u00e3o Z chegam aos 30 anos. J\u00e1 trabalham, administram dinheiro, constroem carreiras, moram sozinhos ou com parceiros, tomam decis\u00f5es e assumem responsabilidades. Ainda assim, parte da comunica\u00e7\u00e3o dirigida a esse p\u00fablico continua associando Gen Z a adolesc\u00eancia, trends, memes, g\u00edrias e uma ideia superficial de juventude.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse descompasso importa porque a rela\u00e7\u00e3o de uma gera\u00e7\u00e3o com as marcas tamb\u00e9m se transforma \u00e0 medida que ela muda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma pesquisa realizada pelo InstitutoZ, n\u00facleo de pesquisa da consultoria Trope-se, ouviu 6.940 brasileiros entre 17 e 30 anos e mostrou que <strong>76% sentem que a vida adulta mudou para sua gera\u00e7\u00e3o<\/strong>. O estudo revela uma gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o necessariamente rejeitou os marcos tradicionais da vida adulta, mas passou a constru\u00ed-los em outra ordem, em outro ritmo e, muitas vezes, sob outras condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para as marcas, esse dado traz uma quest\u00e3o maior do que simplesmente \u201ccomo falar com a Gen Z\u201d. A pergunta \u00e9: <strong>em que momento da vida essa pessoa est\u00e1 e o que ela est\u00e1 tentando construir?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A Gen Z cresceu. A comunica\u00e7\u00e3o acompanhou?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante d\u00e9cadas, a passagem para a vida adulta foi representada por um roteiro relativamente previs\u00edvel: estudar, conseguir um emprego, sair da casa dos pais, casar, comprar um im\u00f3vel e formar uma fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para uma parcela significativa da Gen Z, esse percurso deixou de ser linear. A pesquisa mostra, por exemplo, que entre os jovens de 26 a 30 anos, 47% j\u00e1 moram sozinhos ou com parceiros, enquanto a seguran\u00e7a financeira continua sendo uma quest\u00e3o importante. Entre os entrevistados, 76% afirmam ainda n\u00e3o ter alcan\u00e7ado o sucesso financeiro que desejam. Ou seja: autonomia e estabilidade n\u00e3o necessariamente chegam juntas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso ajuda a explicar por que uma comunica\u00e7\u00e3o que apresenta a vida adulta como um conjunto de conquistas obrigat\u00f3rias pode n\u00e3o gerar identifica\u00e7\u00e3o. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 deixar de falar sobre casa, carreira, dinheiro, relacionamento ou fam\u00edlia, mas entender que esses temas s\u00e3o vividos de formas diferentes e em momentos diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A Gen Z continua crescendo e ela est\u00e1 redefinindo o que esse processo significa.<\/strong> E essa mudan\u00e7a altera tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o de marcas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quando a marca tenta falar \u201ccomo a Gen Z\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos caminhos mais comuns, e mais arriscados, \u00e9 tentar demonstrar proximidade simplesmente reproduzindo c\u00f3digos culturais associados aos jovens. Foi o que aconteceu com a Tubi no Super Bowl de 2025. A plataforma criou o comercial \u201cZ-Suite\u201d, no qual uma equipe de Gen Z assumia o controle de uma empresa, em uma sequ\u00eancia marcada por memes, linguagem de TikTok e uma caricatura do conflito entre gera\u00e7\u00f5es no ambiente de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A inten\u00e7\u00e3o era claramente dialogar com a cultura digital e com uma audi\u00eancia jovem. O resultado, por\u00e9m, foi criticado justamente por parecer uma representa\u00e7\u00e3o superficial da Gen Z: uma cole\u00e7\u00e3o de estere\u00f3tipos digitais apresentada como se definisse toda uma gera\u00e7\u00e3o. A pe\u00e7a acabou recebendo uma das menores avalia\u00e7\u00f5es entre os comerciais do evento (e todos n\u00f3s sabemos o impacto que as propagandas do Superbowl t\u00eam no mundo da publicidade).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso evidencia uma diferen\u00e7a fundamental: <strong>usar os c\u00f3digos de uma gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa compreender a gera\u00e7\u00e3o.<\/strong> O mesmo pode acontecer quando uma marca escolhe um influenciador ou celebridade simplesmente porque ele tem uma audi\u00eancia jovem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2025, a e.l.f. Cosmetics escolheu o comediante Matt Rife para uma campanha justamente pela forte sobreposi\u00e7\u00e3o de sua audi\u00eancia com o p\u00fablico feminino Gen Z. O problema \u00e9 que parte dessa mesma audi\u00eancia levou para a conversa o hist\u00f3rico de piadas do comediante sobre viol\u00eancia dom\u00e9stica, questionando a coer\u00eancia da escolha para uma marca de beleza que construiu parte de sua comunica\u00e7\u00e3o sobre inclus\u00e3o e empoderamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o, novamente, n\u00e3o era estar ou n\u00e3o presente nas redes sociais. Era <strong>entender o repert\u00f3rio completo de quem estava do outro lado<\/strong>. <strong>Afinal, marcas tamb\u00e9m participam do processo<\/strong> e \u00e9nesse ponto que a comunica\u00e7\u00e3o precisa avan\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Gen Z n\u00e3o \u00e9 um p\u00fablico est\u00e1tico esperando que as marcas encontrem a linguagem correta para conquist\u00e1-la. \u00c9 uma gera\u00e7\u00e3o em processo de constru\u00e7\u00e3o de identidade, autonomia, carreira, rela\u00e7\u00f5es e estabilidade. E esse processo influencia a forma como ela interpreta as marcas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma campanha que fala de dinheiro, por exemplo, pode encontrar uma gera\u00e7\u00e3o para a qual independ\u00eancia financeira significa muito mais do que consumo ou status. Uma comunica\u00e7\u00e3o sobre carreira pode encontrar pessoas que questionam a ideia de sucesso linear. Uma marca de relacionamento pode encontrar consumidores que redefinem compromisso, intimidade e autonomia. O significado de uma mensagem n\u00e3o est\u00e1 apenas no que a marca diz, mas tamb\u00e9m no momento de vida de quem recebe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ao inv\u00e9s de \u2018tentar\u2019 parecer jovem, \u00e9 preciso ser relevante.<\/strong> Esse talvez seja o principal aprendizado para as marcas: Comunicar com a Gen Z n\u00e3o significa transformar levar toda campanha para o TikTok, utilizar a \u00faltima g\u00edria ou abandonar a identidade constru\u00edda ao longo dos anos. Significa compreender que o p\u00fablico mudou, e que sua rela\u00e7\u00e3o com consumo, cultura, trabalho, dinheiro, identidade e futuro tamb\u00e9m mudou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para as marcas, isso significa trocar algumas perguntas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em vez de perguntar apenas \u201cqual trend est\u00e1 funcionando?\u201d, perguntar: <strong>o que esse p\u00fablico est\u00e1 vivendo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em vez de \u201cqual linguagem devemos usar?\u201d, perguntar: <strong>qual experi\u00eancia queremos construir com ele?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, antes de escolher est\u00e9tica, influenciador ou plataforma, entender <strong>qual papel a marca pode ocupar na vida real dessas pessoas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Gera\u00e7\u00e3o Z est\u00e1 crescendo. Mas talvez o maior erro das marcas seja imaginar que crescer significa simplesmente se tornar uma vers\u00e3o mais velha das gera\u00e7\u00f5es anteriores. A Gen Z est\u00e1 construindo seus pr\u00f3prios caminhos para a vida adulta e as marcas que quiserem continuar fazendo parte dessa trajet\u00f3ria precisar\u00e3o fazer o mesmo: <strong>menos tentativa de parecer jovem, mais disposi\u00e7\u00e3o para entender como esse p\u00fablico est\u00e1 mudando.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Fonte principal: estudo \u201cGenZ faz 30 anos: o rito de passagem para a vida adulta\u201d, InstitutoZ\/Trope-se, Brasil, 2026.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Gera\u00e7\u00e3o Z est\u00e1 chegando aos 30 anos. Mas muitas marcas ainda continuam falando com ela como se tivesse 20. Em 2026, os integrantes mais velhos da Gera\u00e7\u00e3o Z chegam aos 30 anos. 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