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É quase impossível sobreviver à passagem do tempo sem se reinventar – máxima que vale tanto para pessoas quanto para Marcas. Salvo algumas exceções, como é o caso da Coca-Cola, a grande maioria das Marcas a completar décadas de existência acaba passando por repaginações periódicas. De ajustes sutis na composição visual, tornando-as mais adequada ao pensamento vigente, até uma reconceitualização completa, não raro velhas conhecidas assumem um rosto novo.

Em uma era de simplicidade e linhas curvas, na qual uma singela maçã é uma das Marcas mais facilmente identificadas no mundo todo, não é surpresa que muitas empresas busquem se apresentar em uma linguagem mais clean. É o caso, por exemplo, de duas das maiores emissoras do país: Globo e SBT. A primeira, mais conservadora em sua proposta, abandonou o tom platinado e reduziu os efeitos de brilho, mas mantém as cores e o 3D. Nas palavras de Hans Donner, criador da Marca adotada e modificada desde 1975, “cada novo designer queria colocar reflexo, metal, etc. Os caras que trabalharam comigo destruíram a logo. Não propositalmente. Mas, de fato, ela piorou. Está na hora de limpar meu filhote e adicionar vida.” Já a segunda emissora, também versada na arte dos reflexos e efeitos tridimensionais, apresenta também este ano uma mudança mais radical, abraçando o 2D em elipses coloridas. “Adotamos um aspecto mais clean, mas com a mesma fonte de letra criada por nós. É uma evolução do logo anterior”, declara Fernando Pelegio, diretor de planejamento artístico do SBT.

E não são poucos os exemplos de Marcas que, em busca de uma nova cara para os tempos modernos, simplificam seu estilo. Em 2013, nomes facilmente reconhecidos, como Nivea, Brazil Foods (agora apostando em ser conhecida apenas como BRF), e Dako, entre outros, deixaram de lado as sombras e degradês, investindo em aplicações mais leves.

Mas nem só de minimalismo vivem as grandes empresas. Há também aquelas que, na missão de tornar suas Marcas mais arrojadas, trazem uma dose calculada de tridimensionalidade, como os Correios, ou efeitos cromados, como a Volkswagen. Ou ainda aquelas que decidem lançar um olhar ao passado: a P&G acabou por resgatar o efeito de meia-lua que existia em sua primeira logo, nos idos de 1850.

Afinal, qual é a receita do sucesso no design de Marcas? Certamente existem mil respostas para essa pergunta. E ainda que se reinventar não seja necessariamente sinal de insucesso – como a ideia de “sofrer redesign” parece sugerir –, sem dúvida é fundamental uma dose de bom senso, de forma a equilibrar as influências de estilo da época com a noção de que, no fim das contas, nenhum padrão visual dura para sempre – mas a capacidade do público identificar sua Marca, sim, deve durar. Parafraseando Che: é preciso se modernizar, mas sem perder a identidade jamais.

Fonte: Equipe EnterDesign / Publicado em: 01.10.2014 - 13h55 / Artigos da EnterDesign




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