notícias

Dias destes, tive um desentendimento com um cliente com o qual construimos um relação muito bacana no passado recente. Um cliente grande, de algum renome no seu mercado. O diálogo entre nós sempre foi ótimo. E o fluxo de trabalho também. Sempre houve, sem sombra de dúvida, um grande respeito de ambas as partes.

O tal desentendimento acabou me levando a uma questão maior, mas vamos por partes. Tudo teve início com uma questão que tende a responder por quase toda desavença que acontece na esfera profissional (ou mesmo no pessoal, familiar, etc.. mas isso é para outro artigo): grana.

Ao responder a um pedido de trabalho, fizemos o nosso orçamento “aberto” como sempre, mostrando em módulos os custos envolvidos em cada peça e/ou atividade do processoO cliente, porém, não entendia que uma das atividades previstas (justamente o custo de homem/hora, que para uma empresa de serviço é de onde vem 99,9% da receita) deveria ser cobrada. O curioso é que este custo não chegava a representar nem 8% do valor total do projeto. Dispostos a atender da melhor forma possível, oferecemos 50% de desconto neste item da proposta, pois não achamos correto simplesmente descartar o valor na integra; afinal assim estaríamos desvalorizando o nosso trabalho como profissionais especializados. Infelizmente, não conseguimos chegar a um meio termo, , e o projeto deixou de ser nossa incumbência.

Algumas semanas mais tarde, o cliente nos procurou para fazer uma pequena parte desse mesmo trabalho, em regime de urgência. Uma parte que, muito provavelmente, a empresa contratada não conseguiu fazer. No entanto, esta porção do trabalho solicitada era ínfima frente à dimensão e ao orçamento originais do projeto. Um valor tão pequeno que me senti até mal de cobrar. Fiquei na dúvida se era um trabalho que realmente deveria ser cobrado ou embutido em outros custos, visando uma nova aproximação com o cliente e a possibilidade de voltar a fazer projetos de maior expressão.

É nesse ponto que entra a questão: ouço com alguma frequência que todo trabalho tem que ser cobrado, por menor que seja. Inclusive, trabalho com orçamento aberto e detalhado para que o cliente entenda os valores envolvidos em cada detalhe do projeto, porque isso dá ao cliente uma visão real do que ele está pagando além de permitir que, sob um orçamento mais limitado, ele considere suas prioridades e onde deseja realmente investir naquele momento. Mas, aos olhos do cliente, é interessante ser visto como a empresa que é competente e vai resolver os problemas pontuais a um baixo custo? Será que não é melhor ser o parceiro que vai resolver todos os problemas, independente do valor gasto?

Confesso que ainda estou na dúvida se fiz o certo, mas acredito que se está na dúvida de cobrar ou não, não cobre nada. Considere um investimento. Um dia, esse dinheiro volta.

Fonte: Maurício Abrahão - EnterDesign / Publicado em: 22.10.2015 - 18h21 / Artigos da EnterDesign




0 comentários em “Na dúvida, nao cobre nada!

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

EnterDesign @ 2013 - Todos os Direitos Reservados - (5521) 2491-7398