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Aviso aos navegantes: ao escrever esse texto, não faço o menor esforço para manter alguma distância e apresentar uma visão mais analítica, até clínica. Porque o Ilha Design é uma daquelas experiências que se abraça; que cada um vivencia de uma maneira única – e fugir disso deixaria esse relato apenas vazio, sem um nada do encanto desse projeto.

Porque o Ilha encanta, sim. Surpreende a cada vez que se abre a porta de uma oficina para descobrir o que acontece lá dentro.

Mas vamos começar do início, para quem não conhece esse movimento: o Ilha Design é um projeto de Design Social, que torna design e arte ferramentas de inclusão social para estudantes de escolas públicas. Em oficinas e diversas atividades interativas, crianças e jovens podem ter acesso e explorar diversos campos da ciência.

E se parece bacana já no conceito, é infinitamente melhor quando se assiste à magia acontecendo.

Invadimos o Ilha Design na quinta-feira, dia 23. Como se para tornar tudo perfeito, até o clima em Ilha Grande, fechado e chuvoso nos dias anteriores, decidiu abrir. Fomos recebidos por um cenário idílico e logo tomamos nosso rumo para a Escola Municipal Brigadeiro Nóbrega, onde toda a ação estava acontecendo. Eu, novata, era a única em nosso grupo que nunca tinha tido contato com o projeto, exceto pelo que me contavam – e se os causos que ouvi eram absolutamente apaixonados e cheios de impressões pra lá de pessoais, não posso condenar ninguém.

Quando chegamos à escola, a primeira rodada de oficinas do dia estava quase no fim; logo chegaria a hora do almoço, com uma bem-vinda pausa para os monitores. Mas talvez tenha sido o melhor momento para conhecer o trabalho desenvolvido ali: ao entrar nas salas, pegamos justamente o final de cada oficina e, assim, vimos logo de cara aonde aquelas crianças podiam chegar. E foi bem aí que o feitiço foi lançado – ao menos sobre mim.

Eu esperava, confesso, encontrar crianças como eram os meus colegas nas boas e velhas aulas de artes plásticas: meio sem vontade, algumas fazendo o trabalho só por fazer, outras envergonhadas. O que vimos, contudo, foi um grupo deliciosamente exibido, mostrando com orgulho o resultado de seus projetos, se deixando fotografar com a maior calma. Oficinas muito mais elaboradas do que eu poderia imaginar – design de interiores, estêncil, produção de arte a partir de sucata, e por aí vai -, e muito, muito mais empenho, criatividade e disposição. No meu caso em particular, minhas defesas caíram de vez quando uma menina veio até mim para me mostrar o pufe que havia feito para a sala dos sonhos na qual trabalhava com os colegas.

Vi crianças aprendendo, mas também ensinando. Ensinando que criatividade e sensibilidade podem ser encontrados, sim, em todo lugar; que, com uma oportunidade das mais simples, a arte floresce.

Para o próximo ano, já estamos sonhando com uma oficina nossa. E mais uma temporada de aprendizado, troca e, por que não?, sonho. Porque o Ilha Design, com seu mote de amor infinito, faz mesmo você se apaixonar.

Fonte: Liliane Reis - EnterDesign / Publicado em: 30.10.2014 - 14h01 / Artigos da EnterDesign




0 comentários em “Ilha Design, amor infinito

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