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Na última semana, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou um projeto que regulamenta a profissão de designer. Pela proposta, fica determinado que somente titulares de determinados cursos de graduação – no caso, Comunicação Visual, Desenho Industrial, Programação Visual, Projeto de Produto, Design Gráfico, Design Industrial, Design de Moda e Design de Produto – e profissionais com experiência mínima de três anos até a publicação da lei podem exercer a profissão.

O que muita gente não percebe, porém, é a importância dessa iniciativa que, se não passar por recurso de votação em Plenário, seguirá direto para sanção presidencial.

Pense na planta da sua casa sendo desenhada por um conhecido que não é exatamente arquiteto, mas tem grande interesse nas obras de Niemeyer. Ou em um diagnóstico oferecido por aquele parente que não é médico, mas já passou tanto tempo em consultórios que entende um pouco de tudo. Parece arriscado? Pois não é tão diferente de entregar a arte da sua Marca nas mãos de alguém que “sabe um pouco de design” – a já lendária figura do sobrinho que sabe mexer no Photoshop, que assombra designers feito um pesadelo triste.

É um mal, contudo, frequentemente enfrentado por profissionais de Humanas: como as carreiras desse campo muitas vezes caminham de mãos dadas com a arte e seus fundamentos mais simples são razoavelmente acessíveis, existe a (péssima) cultura de que basta um mínimo de vocação e a leitura de um par de tutoriais e pronto: qualquer um pode fazer. Um olhar com um mínimo de cuidado ao seu redor, porém, faz cair por terra essa teoria. Aptidão artística e sensibilidade podem, sim, vir de berço ou mesmo ser aprendidas através de estudo, mas existe muita técnica embutida nas artes que efetivamente cumprem seu dever.

Porque não basta encontrar uma fonte e uma foto bonita para enfeitar o letreiro – ou ao menos não deveria bastar. É preciso conhecer a fundo o significado e o impacto de cada cor, de cada traço. Da serifa ao ponto, cada detalhe tem que ser calculado com precisão para demonstrar a que a Marca veio, traduzir sua alma.

Isso não se aprende só com um manual de Photoshop for dummies.

Fonte: Liliane Reis - EnterDesign / Publicado em: 18.11.2014 - 14h42 / Artigos da EnterDesign




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